A vocação é uma questão de “in-sucesso”
Edite e Ir. Margarida, do Sector de Pastoral Vocacional do SDPJV Aveiro
A questão da vocação é uma questão de insucesso. Sim, in-sucesso. “O sucesso está dentro de nós, o in”, explica a Ir. Margarida Ribeirinha, das Doroteias que estão em Recardães. O principal objectivo da pastoral vocacional é levar os jovens a responder a: “O que estou aqui a fazer?” Não têm sido muitos os que colocam a questão, “mas sem a resposta, ficamos mancos”.
Em vez de pedir aos animadores que digam aos jovens para se inscreverem nos encontros vocacionais, a equipa da pastoral vocacional vai convidar os próprios animadores e pedir-lhes que eles levem consigo alguns jovens. “Quantos animadores que aqui estão se questionam sobre o que Deus quer de nós?”, interrogou a religiosa. E insistiu: “Se eu não coloco a questão a mim mesma, como vou animar os outros a colocá-la?”
Mudou-se o nome e os jovens apareceram
Fábio Pinto, de Oliveirinha, elemento da organização do JAJA
JAJA quer dizer Jornada Arciprestal dos Jovens de Aveiro, ou seja, o encontro em ritmo de convívio, formação e oração dos jovens a partir do 10.º ano das 14 paróquias de Aveiro. Já antes havia encontros arciprestais, mas com a mudança do nome, a adesão aumentou. Fábio Pinto explicou que o JAJA é um encontro AC/DC. A de ambulante, porque percorre as diversas paróquias. C de cooperação entre paróquias, animadores, jovens. D de datas, porque é anual, “como o presépio”, marcado numa data que “faça sentido”, para que a energia que traz aos jovens, “ainda que fugaz, dure pelo menos um mês”. Normalmente, realiza-se entre o Natal e a Páscoa. C de comunidade.
O JAJA tem música, peddy-papers, concursos, não “porque sim”, mas porque “é preciso [para uma determinada mensagem] ou para aprender a trabalhar uns com os outros”.
Sonhar, acreditar, planear, organizar…
Sérgio Bandeira, da Equipa Arciprestal de Pastoral Juvenil e Vocacional de Anadia
Sonhar, acreditar, planear, organizar, ter atitude, trabalhar muito, respeitar, orar. Estes são, segundo Sérgio Bandeira, os verbos que sustentam a Equipa Arciprestal de Pastoral Juvenil e Vocacional de Anadia. A Equipa existe para coordenar a pastoral juvenil e vocacional, o que implica, entre outras coisas, “apoiar os animadores e grupos paroquiais” e “criar e manter uma boa imagem dos jovens junto das comunidades locais”. A Equipa que em Maio passado movimentou as paróquias de Anadia para encerrar a visita pastoral do Bispo de Aveiro na festa chamada “Arciprestelândia d’Anadia” aposta muito na comunicação. “Podemos fazer as coisas melhores do mundo, mas, se calhar, nem os pais dos jovens sabem”, diz Sérgio Bandeira. É preciso comunicar. E como diz o excerto de filme exibido, “se tens um sonho, tens de protegê-lo; se queres algo, vai à luta”.
Grupo forte e organizado, depois dos altos e baixos
Luís Ferreira, do Grupo de Jovens Amigos do André
O Grupo de Jovens Amigos do André, da paróquia de S.to André, Vagos, tem hoje 35 elementos, a maioria na faixa dos 17/18 anos. Existe desde 1995. “No início era um pretexto para a saída semanal à noite”, disse Luís Ferreira. Nos primeiros 10 anos, o grupo passou por altos e baixos. Quase desapareceu com as saídas para a universidade, casamentos, empregos. Em 2005, o Amigos do André reconheceu fragilidades, repensou-se, mudou de liderança, alicerçou-se na “motivação e superação”. Hoje, está forte e organizado. Tem objectivos definidos, aposta na formação, há tarefas distribuídas pelos membros, actividades programadas, um espaço próprio nas instalações da paróquia. “Quando os jovens mostram o seu valor e têm responsabilidades atribuídas, sentem-se úteis, motivados, e vão às reuniões”, remata o animador Luís Ferreira.
In Correio do Vouga, 27 Outubro 2010